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Entrevista: Dr. Ricardo Machado Cruz

Quarta, 05 de Agosto de 2015

O ortodontista Dr. Ricardo Machado Cruz, de Brasília-DF, diplomado pelo Board Brasileiro de Ortodontia, ex-Presidente da Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial – ABOR (2010-2014) e membro do corpo editorial do Dental Press Journal of Orthodontics (DPJO), foi indicado para representar as Américas Central e do Sul no Comitê Executivo do World Federation of Orthodontics (WFO). Em 26 de setembro deste ano, o conselho da federação elegerá dez membros para servir ao seu Comitê Executivo nos próximos cinco anos. O anúncio ocorrerá um dia antes do início do 8º Congresso Internacional de Ortodontia (8th Internacional Orthodontics Congress, IOC), em Londres, na Inglaterra. Se eleito, ele sucederá outro brasileiro, o Dr. Kurt Faltin Jr.

Em entrevista ao Portal Dental Press, Dr. Cruz disse estar satisfeito com a indicação e preparado para as solicitações do novo presidente, Dr. Allan Thom. “Confesso que foi uma surpresa, dado a excelente qualificação dos demais candidatos concorrentes. Agradeço muito à ABOR [Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial] e SBO [Sociedade Brasileira de Ortodontia] pelo encaminhamento do meu nome, e em especial aos grandes amigos Dra. Flavia Artese e Dr. Jorge Faber pela grande ajuda”, destacou.

Os eleitos, que representarão as seis maiores regiões do mundo, ajudarão a propagar a missão da WFO no avanço da arte e ciência da ortodontia pelo mundo. O Comitê Executivo terá, no total, 14 membros, incluindo o presidente, o secretário geral, o editor chefe do Journal of the World Federation of Orthodontists (JWFO) e um representante da Sociedade Japonesa de Ortodontia (Japanese Orthodontic Society, JOS), o anfitrião do 9º IOC em 2020. O presidente eleito, Dr. Allan Thom, de Tunbridge Wells (Inglaterra), sucederá o Dr. Roberto Justus, da Cidade do México (México).

Confira, na íntegra, a entrevista exclusiva do Dr. Ricardo Machado Cruz ao Portal Dental Press:

 

Portal Dental Press - O senhor nunca foi membro do Comitê Executivo. Qual seu histórico na WFO? Por que quer representar as américas Central e do Sul na entidade?

Dr. Cruz – Realmente, dos dez candidatos escolhidos para representar as seis grandes regiões do mundo pelos próximos cinco anos, apenas quatro estarão servindo ao Comitê Executivo da WFO pela primeira vez. Eu entre eles. Os demais seis já fazem parte, e vai ser bom contar com a sua experiência. Se eleito pelo Conselho da WFO sucederei outro brasileiro, Dr. Kurt Faltin Jr. Considero isso muito importante para nosso país e esse foi um dos motivos pelos quais aceitei me candidatar para essa nova missão: o Brasil, como maior país da região e líder nato no continente, não poderia ficar de fora desse colegiado que tem a incumbência de estimular o avanço ainda maior da arte e da ciência ortodôntica através do mundo. Temos nas Américas do Sul e Central uma das melhores odontologias do mundo, mas que devido a problemas políticos e econômicos atravessados pelos países da região, tem sofrido bastante com a multiplicação de cursos de baixa qualidade e o aviltamento da profissão com remunerações baixas e qualidade de trabalho em declínio. A troca de informações e o compartilhamento de nossos problemas com colegas de outros países podem nos ajudar a superar as dificuldades e continuar mantendo a região como referência mundial em termos de excelência clínica e científica. Acredito que minha experiência por quatro anos à frente da entidade maior da Ortodontia brasileira, em um país com tantos contrastes, pode me ajudar a exercer de forma apropriada esta nova missão.

 

Portal Dental Press - Por que é importante para a ortodontia brasileira ter um representante no Comitê Executivo da WFO?

Dr. Cruz - Acredito que nosso país, devido às suas dimensões continentais, tem uma vocação natural para ser líder na região. E essa liderança deve ser buscada sempre. Temos que ocupar nossos espaços. Na odontologia não poderia ser diferente. Percebo que os demais países vizinhos possuem um intercâmbio científico maior entre eles, justificado pela facilidade do idioma. Nós estamos sempre meio isolados dos demais. A ALADO (Asociación Latino Americana de Ortodoncia), na figura dos doutores Kurt Faltin Jr e Julia Harfin, tem buscado intregar todos de maneira mais eficiente e isso só traz benefícios para nossa odontologia. Terei a oportunidade de ajudar nessa integração ao fazer parte da próxima diretoria da ALADO como diretor científico, sob a presidência do Dr. Fernando Esteves, e ao mesmo tempo na integração da América Latina com o resto do mundo ao ocupar essa vaga no Comitê Executivo da WFO. E para isso terei ao meu lado na WFO outro brasileiro, Dr. Jorge Faber, que tem levado o nome do nosso país ao mundo todo, mostrando uma ortodontia de excelência. Como editor chefe do JWFO tem tido a oportunidade de conhecer os maiores ortodontistas do mundo e ajudar a trazê-los ao Brasil para ministrar cursos para nossos colegas brasileiros.

 

Portal Dental Press - Quais suas propostas?

Dr. Cruz - Tenho um respeito e admiração enormes pelo Dr. Roberto Justus, atual presidente da WFO, que foi responsável por um grande crescimento da entidade. Nos últimos cinco anos, período de sua gestão, a WFO cresceu 30%. Hoje conta com 109 organizações filiadas e mais de 10 mil membros. Acho que essa deve ser a meta principal da nova gestão: crescer ainda mais. Com uma representatividade cada vez maior, terá ainda mais respaldo e credibilidade para poder implantar seus princípios e “guidelines” [protocolos] a todos os seus filiados, como os que se referem aos critérios para creditação de cursos de pós-graduação em Ortodontia e os parâmetros para a criação dos Boards nacionais de Ortodontia. Tenho certeza de que podemos contribuir para esse crescimento, estimulando e encorajando nossos colegas latino-americanos a se filiarem à WFO. Atualmente a Ásia é a região que mais tem crescido, mas estou seguro de que podemos surpreender. Essa será uma das minhas bandeiras: mostrar aos ortodontistas de nossa região que eles só tem vantagens ao se tornarem membros da WFO, por exemplo, dentre outras, o acesso completo ao JWFO e descontos significativos nos maiores congressos de ortodontia do mundo. Concordo que a busca por novos membros deve passar necessariamente pelas universidades. Os estudantes de pós-graduação estão sendo estimulados a entrar para a entidade com isenções do pagamento de suas primeiras anuidades. Isso é de suma importância e deve ser mantido. Esses novos profissionais serão os líderes da Ortodontia do futuro e desde o início de suas carreiras tem que se engajar nessa luta. Também penso que temos que estimular a formação de entidades nacionais nos países onde ainda não existem. Aqui na América Latina a ALADO trabalhará nesse sentido e, em seguida, teremos que encorajar essas novas sociedades a também entrarem para a WFO. Além disso, apesar de não conhecer a realidade financeira da entidade, havendo disponibilidade, penso que a WFO poderia ajudar a financiar pesquisas científicas conduzidas em instituições creditadas e financiar o intercâmbio de estudantes de pós-graduação em Ortodontia de países em desenvolvimento para que possam passar uma temporada em universidades de prestígio internacional, tudo em prol do desenvolvimento científico da especialidade em todo o mundo.

Por Renata Mastromauro | DentalPress